Essa foi uma das principais conclusões dos especialistas que participaram do webinar, organizado pela ASIET, sobre as transformações do mercado audiovisual global e brasileiro. Eles também fizeram um apelo aos reguladores para que as restrições à integração vertical fossem eliminadas visando a dinamizar a concorrência, maximizar a diversidade de conteúdo, reduzir preços aos consumidores e promover a produção local.

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22 de novembro de 2019 – A Associação Interamericana de Empresas de Telecomunicações (ASIET) organizou ontem um webinar sobre a evolução do mercado audiovisual, a concorrência e seu impacto no fornecimento, no bem-estar do consumidor e na qualidade dos serviços, com foco especialmente no mercado brasileiro. O gatilho foi o relatório “Alterações no mercado de audiovisual global e brasileiro” da Telecom Advisory Services, cujo autor é o Dr. Raúl Katz, professor e Diretor de Pesquisa de Estratégia de Negócios do Centro de Teleinformação da Universidade da Colúmbia.

O relatório está disponível em inglês e português.

Participaram do seminário online como expositores o Dr. Katz; Maryleana Méndez, Secretária Geral da ASIET; Facundo Recondo, Vice-presidente de Relações Internacionais e Políticas Públicas da Warner Media; e Roger Entner, fundador da Recon Analytics Inc.

O relatório é a análise mais atual e abrangente das alterações na indústria audiovisual brasileira. Nele, Raul Katz conclui que as tendências da indústria para a verticalização e a proliferação de plataformas de distribuição de conteúdo online (OTTs) beneficiam os consumidores, dinamizam a concorrência e promovem a indústria de conteúdo local. O estudo sustenta que restrições à verticalização de produtores e distribuidores de conteúdo, como as que prevê a lei de televisão paga brasileira, agem como barreiras para o desenvolvimento da indústria, obstaculizam a concorrência e ferem os consumidores e a indústria de conteúdo local.

Entre os principais dados do relatório, elencados por Raúl Katz, destacam-se:

• Os mercados audiovisuais, tanto em escala global quanto no Brasil, estão sendo impactados por uma concorrência feroz entre a TV paga e os operadores OTTs. Os jogadores estão concorrendo não apenas na distribuição de vídeo, mas também em indústrias adjacentes como o desenvolvimento de conteúdo.

• As barreiras tradicionais da cadeia de valor audiovisual, que antes separavam os distribuidores dos produtores de conteúdo, com a digitalização dos conteúdos, desapareceram, empurrando os jogadores da indústria a se integrarem verticalmente para poder continuar concorrendo no mercado.

• Importantes benefícios para os consumidores, como por exemplo, variedade de conteúdo, facilidade de acesso, uma experiência de cliente melhorada e preços baixos, entre outros, foram produzidos pela intensificação das dinâmicas competitivas e a integração vertical.

• Nesse contexto, as restrições à integração vertical, como as previstas na Lei de televisão paga brasileira, são tanto anticompetitivas quanto prejudiciais para a proteção dos consumidores e da indústria audiovisual local.

“Consequentemente, se aqueles que desenham as políticas públicas quiserem maximizar a diversidade de conteúdo, facilitar preços baixos e multiplicar a oferta para os consumidores, precisam eliminar restrições à integração vertical e outros empecilhos regulatórios que inibem a capacidade dos jogadores da indústria de desenvolver novos produtos e serviços. Essa aproximação não só não reduz a concorrência, muito pelo contrário: permitirá que floresça, beneficiando mais os consumidores”, destacou Katz.

Por sua parte, Maryleana Méndez, secretária geral da ASIET, enfatizou: “Para o desenvolvimento do mercado audiovisual e para potencializar seus efeitos positivos em toda a economia, o desafio da luta contra a pirataria, desde uma visão transversal, não é menor. Concretamente, segundo o Ministério da Justiça do Brasil existem 20 milhões de residências que utilizam o conteúdo pirata através da internet, e embora tenhamos que reconhecer o esforço do governo brasileiro, por exemplo com a operação 404 recentemente executada, existe margem para dar mais passos nessa direção, desde o campo regulatório em sentido amplo, quanto no que diz respeito ao trabalho de conscientização da população na promoção de hábitos saudáveis na vida digital”.

Na mesma linha, Facundo Recondo da Warner Media, explicou como AT&T evoluiu de uma empresa de telecomunicações para uma moderna companhia de mídia. “A digitalização nos oferece oportunidades. Inovação e mobilidade fazem parte dessa nova era onde a revolução da Internet móvel mudou tudo. E a terceira palavra mágica é dados”, detalhou Recondo.

Por sua vez, Roger Entner, fundador da Recon Analytics Inc, garantiu: “A proliferação de serviços de vídeo sob demanda transformou a indústria do entretenimento. Consequência do crescimento sem precedentes dos programas e shows, a quantidade de locais onde é gerado conteúdo se espalhou”. “Dos programas de televisão emitidos nos Estados Unidos, agora mais da metade, são realizados fora da Califórnia”, concluiu o especialista.

O vídeo da atividade completa disponível aqui:

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